quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Biomas Sergipanos

Por: Iris Rianne
   Sabemos o quão grandioso é a biodiversidade brasileira, sendo seis os biomas: Caatinga, Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa.  Mas para compreender melhor o que é bioma, vamos utilizar a Mata Atlântica como exemplo, pois este é formado por variados tipos de fisionomias da vegetação como florestas ombrófilas densa, aberta e mista e florestas estacionais semideciduais e deciduais, ou seja, bioma corresponde a um conjunto de ecossistemas. Em nosso estado, encontramos a Caatinga, a Mata Atlântica e, para alguns autores, possuímos enclaves de Cerrado (figura 1). O que na verdade pode ser um local com característica única por se tratar de uma área de transição, também chamado ecótono, entre Mata Atlântica e Caatinga.
   Historicamente, a Mata Atlântica foi destruída pelos europeus por conta da colonização do país, seguida da especulação imobiliária, pois segundo dados do IBGE mais de 70% da população brasileira vive na faixa situada a até 200 km do litoral. O Bioma Caatinga desde período colonial também sofreu com o desmatamento, com o objetivo de destinar essas áreas para a criação de gado que abastecia naquele período regiões da Bahia e atualmente tem perdido mais vegetação para a fabricação de carvão vegetal. Porém, a partir da década de 70, iniciou-se um processo de conservação de áreas com potencial para resguardar a biodiversidade mundial. 

   No Brasil, não foi diferente e hoje em Sergipe temos algumas áreas destinadas à conservação de biomas aqui encontrados, entre os que se destinam à proteção da Mata Atlântica são: Parque Nacional Serra de Itabaiana (localizado entre Itabaiana e Areia Branca), Refúgio de Vida Silvestre Mata do Junco (localizada em Capela), Reserva Biológica Santa Isabel (localizada em Pirambu), Área de Proteção Ambiental Morro do Urubu (localizada na área urbana de Aracaju), Área de Proteção Ambiental do Litoral Sul do Estado de Sergipe (estende-se entre os municípios de Itaporanga d’Ajuda, Estância, Santa Luzia do Itanhy e Indiaroba), Área de Proteção Ambiental Litoral Norte (situa-se nos municípios de Pirambu, Japoatã, Pacatuba, Ilha das Flores e Brejo Grande). 

    Já o Bioma Caatinga possui apenas uma Unidade de Conservação chamada Monumento Natural Grota do Angico (localizada em Poço Redondo), entretanto com riqueza histórica cultural espetacular, pois foi nessa área que Lampião, o rei do cangaço, foi morto juntamente cm o seu bando pelas volantes da república, além da rica diversidade biológica como: 63 espécies de plantas, 10 de abelhas, 14 anfíbios (sapos, rãs e pererecas), nove répteis (entre lagartos e serpentes), e 21 espécies de mamíferos, alguns vulneráveis a serem extintos. 

   Apesar do homem historicamente ter contribuído para a destruição da fauna, flora e perda de conhecimentos populares como a utilização de plantas para tratamentos de saúde, chegou a hora de nós contribuirmos de outra forma, denunciando através do telefone: 0800-61-8080 da Linha Verde/IBAMA ou pelo E-mail: linhaverde.sede@ibama.gov.br, ações como: 1- a retirada ou comercialização ilegal de madeira para a produção de carvão ou utilização de madeiras para fornos de cerâmicas e panificações; 2- A caça de animais silvestres como papagaio, arara, jabuti, etc.; 3- A pesca e venda ilegal de caranguejos ou peixes no período do defeso (período e que é proibido a pesca para possibilitar a reprodução deles), sendo que o defeso do caranguejo em nosso estado é de janeiro à março. Então vamos fazer nossa parte!    Denuncie ações ilegais para que a gente possa usufruir do que a natureza tem de melhor sem precisar destruí-la.

 Referências
http://www.semarh.se.gov.br/biodiversidade/modules/tinyd0/index.php?id=11 
http://www.ibge.gov.br/home/ 
http://www.ibama.gov.br/linhaverde/home.htm SANTOS, A.F.; ANDRADE, J.A. Nova geografia de Sergipe. Secretária do estado de educação. Universidade Federal de Sergipe, 1998. 148p.


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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Empresas ambientalmente corretas!?


Por: Iris Rianne
Hoje se sabe que os recursos naturais são finitos, isso tem feito surgi uma maior consciência ambiental entre a população. Tendo isso em vista, muitas empresas privadas têm buscado ferramentas para reduzir os gastos na produção e, ao mesmo tempo, vender mais produtos aos indivíduos ambientalmente preocupados. 
A Organização Internacional de padrão (ISO - sigla em inglês) em 1994 desenvolveu normas para produtos que priorizam a saúde e segurança das pessoas, sem comprometer o meio ambiente, por exemplo: uma bacia hidrográfica ou uma área protegida. Essa norma foi chamada de ISO 14000, a qual apresenta alguns pontos, como: estabelece compromisso com a manutenção da qualidade ambiental; analisa impactos ambientais causados pela empresa; desenvolve estratégias de garantia das metas estabelecidas; desenvolve programas de educação ambiental e capacitação de servidores das empresas; busca diminuir os resíduos gerados pela empresa, além de definir normas para seu tratamento. 
A ideia de criar a ISO 14000 surgiu da atual conscientização das pessoas quanto à crise ambiental, percebendo que os bens naturais (água, ar, minerais) possuem um valor econômico associado a eles, o que muitos autores chamam de valoração econômica, ou seja, hoje paga-se pela água e certamente pagaremos mais ainda. 
Alguns bancos chegam a cobrar taxas maiores para empresas com elevadas atividades poluidoras, isso pelo fato de existir uma pressão pública local e internacional.  Acionistas também preferem investir em empresas lucrativas e ambientalmente responsáveis. Outro fator que contribui para busca desse selo verde é uma crescente busca dos consumidores por produtos que menos agridem o meio ambiente, assim cada vez mais importadores exigem certificação ambiental dos produtos nos moldes da ISO 14000.
No Brasil, o INMETRO é o órgão responsável por fiscalizar essa certificação e é assim que atualmente nosso país apresenta o maior número de certificações ambientais da América Latina.
Mas será que essas empresas estão realmente preocupadas com o meio ambiente, ou com o lucro que terão, já que os custos na produção de produtos ambientalmente corretos acabam sendo menores, além desses produtos chegarem ao consumidor com preço mais elevado. Por exemplo, uma cerâmica utiliza uma enorme quantidade de lenha para fabricar telhas, assim há muito gasto com a comprar de madeira para alimentar os fornos, além de resultar na derrubada de uma grande quantidade de árvores. Mas se ao invés de utilizar a madeira, ela optar pela compra de cascas de coco adquirida de uma indústria de leite de coco, ele estaria evitando que uma nova árvore fosse derrubada. Ao mesmo tempo, lucraria com a redução nos gastos, obtendo uma margem de lucro maior do que a primeira situação. Assim, o que vemos hoje não é apenas uma preocupação com o ambiente, mas sim a ideia de ganhar novos consumidores que irão comprar produtos desta empresa ambientalmente correta.
Outro exemplo, quando uma empresa divulga que ao comprar determinado produto ela está colaborando com o plantio de mais uma árvore. Será que são árvores nativas (daquela região)? Existe algum programa de acompanhamento durante o desenvolvimento dessas árvores?  Ou uma empresa de cosméticos que se apropria do conhecimento popular sobre determinado essência e não retribui a contribuição que estas pessoas deram para o desenvolvimento de tal produto. O que você acha? Aguardamos seu comentário. Logo, antes de comprar determinado produto “ambientalmente correto”, busque informações sobre o processo de fabricação deste, para realmente ter certeza que esta empresa segue princípios éticos e ambientais.
Referências:
GOMES, A. A GESTÃO DO SISTEMA AMBIENTAL E A NBR-ISO 14.001. Revista Científica Eletrônica de Administração. Ano VI. Número 11. Dezembro de 2006.
Diniz, R. V. W.; Andrade,  M. O.; Hernández M. I. M. ISO 14.001 E SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL: PERCEPCAO AMBIENTAL DE UM SISTEMA DE GESTAO AMBIENTAL IMPLANTADO. Anais: VII Encontro da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica. Fortaleza, 2007.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Educação Ambiental e o consumo sustentável: Discutindo o uso de recursos naturais e a geração de resíduos sólidos


           “A nossa enorme economia produtiva exige que façamos do consumo nossa forma de vida, que tornemos a compra e uso de bens, rituais, que procuremos a nossa satisfação espiritual, a satisfação do nosso ego, no consumo. Precisamos que as coisas sejam consumidas, destruídas, substituídas e descartadas a um ritmo cada vez maior”. Victor Lebow, analista de varejo norte americano no período pós-Segunda Guerra Mundial.
O excerto acima define bem o padrão de consumo dos dias atuais. Consumir hoje, possui uma nova conotação, refere-se a um novo estilo de vida cujas sociedades pertencem a um ciclo vicioso, composto por três etapas: comprar, consumir e descartar.
Esse ciclo se processa com uma enorme velocidade, às vezes imperceptível aos nossos olhos. Você já parou para pensar que em anos atrás os produtos possuíam uma maior vida útil e nos dias de hoje são consumidos mais rapidamente?  Isto não é por acaso, acabamos sendo vítimas da obsolescência planejada e da obsolescência percebida. A obsolescência planejada ocorre quando os produtos são planejados para durar menos, isso ocorre comumente com aparelhos eletrônicos, como aparelhos celulares e computadores e também com produtos descartáveis. Já obsolescência percebida, ocorre quando produtos com designs mais modernos são lançados no mercado, isso nos leva perceber que nossos produtos comprados anteriormente estão obsoletos, este processo foi perceptível no lançamento dos monitores de LCD, quem possuía monitores de tubo acabava se sentindo fora do novo contexto social de cidadão consumista. Ambos os termos citados anteriormente são estratégias mercadológicas criadas para alavancar o consumo.
Mas de que forma somos influenciados a serem cidadãos consumistas? A publicidade e o marketing são instrumentos cruciais neste processo. Quando ligamos a TV ou acessamos a internet, ficamos expostos a uma quantidade imensa de propagandas, nos tornamos parte deste sistema, deste ciclo, nos tornamos seres alienados, marionetes do sistema capitalista.
            Agora é hora de prestarmos atenção em outro ponto importante desse sistema, de que materiais são constituídos os produtos que consumimos? Os recursos naturais são a matéria-prima que alimenta este sistema, a extração irresponsável e muitas vezes criminosa deste bem natural acaba por degradar o meio ambiente, contribuindo para escassez desses recursos que, por sua vez, possuem caráter finito.
Se descartarmos mais rapidamente o que consumimos, acabamos por gerar uma maior quantidade de lixo, que tende a se acumular. O tratamento de resíduos sólidos é uma grande problemática mundial, pois o lixo produzido, em grande parte, não pode ser reaproveitado. A reciclagem possui um importante papel na redução do acúmulo de lixo, pois torna o que antes era inútil em um novo bem de consumo, porém a reciclagem não é o suficiente para resolução do problema, a taxa de reciclagem é bastante desproporcional a quantidade de resíduos sólidos gerados a cada dia, tornando-se assim um mecanismo insuficiente, mas de grande importância. A redução do consumo desordenado, a utilização dos produtos que compramos até o fim da sua vida útil e a reciclagem são de suma importância para a diminuição das problemáticas ambientais, pois reduziriam a extração dos recursos naturais, diminuiriam a geração e acúmulo de lixo, contribuindo, assim, para o desenvolvimento de sociedades mais sustentáveis.

Iúri A.


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terça-feira, 22 de maio de 2012

A terra está mudando: Aquecimento Global e a Rio + 20



Por: Iris Rianne
As discussões sobre as mudanças climáticas se tornaram frequentes entre o meio acadêmico e espaços comuns da sociedade, isso mostra a preocupação da população com as consequências do aquecimento global para a qualidade de vida na Terra. Isso é inevitável e bem perceptível, é só perguntar a seus avós ou outra pessoa mais velha como era a temperatura no tempo da infância deles. Certamente, eles vão falar que era diferente, “mais fresco”, chovia mais, entre outras coisas.
Só para compreendermos, na Terra existe um processo responsável por manter a temperatura equilibrada chamado efeito estufa, que é imprescindível para a manutenção da vida no planeta, já que promove um equilíbrio na temperatura, possibilitando um clima adequado para sua existência. Isso se deve à associação de fatores, como a camada de ozônio que filtra os raios ultravioletas emitidos pelo sol, além de gases, como dióxido de carbono (CO2) que é advindo da queima de combustíveis fósseis e contribui para que parte do calor permaneça dentro da atmosfera terrestre. Entretanto, esta camada tem sofrido interferência por causa do aumento deste gás que “segura” mais calor na Terra, aumentando a temperatura global. Além deste gás, também existem outros que agravam o efeito estufa, como o metano, o clorofluorcarbonetos (CFCs), o óxido nitroso, entre outros. Estes gases têm fontes variadas, como a decomposição de matérias orgânica, geladeiras e ar-condicionado antigos, além de indústrias, respectivamente.
A partir das análises e levantamentos já realizados, é previsto que o aquecimento intensificará fatores como áreas litorâneas mais úmidas e os interiores mais secos, além de que esse aumento da temperatura trará consequências como o derretimento de calotas polares, cujo resultado é a elevação do nível do mar, ameaçando as populações costeiras. Os cientistas também informam que a temperatura elevada pode levar à extinção de espécies, como anfíbios, urso polar, aves – como o ganso de peito vermelho que vive no Ártico –, e os corais marinhos.
Mas aí você deve estar se perguntando: E o que isso tem haver com o Brasil, nordeste e o lugar que moro? Pois bem, tem tudo haver. É só lembrar da seca ocorrida em 2001 na Amazônia; dos tornados e o Furacão ‘Catarina’ (primeiro furacão brasileiro) atingiram a região sul em 2005; das tempestades violentas em Alagoas e Pernambuco em 2010; Além de uma das maiores secas (2012) dos últimos 40 anos na Bahia e Sergipe, acentuando o processo de desertificação no nordeste. De acordo com dados atuais do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), esses tornados e furacões são consequências do aumento da temperatura do Oceano Atlântico, a Amazônia pode se tornar igual às Savanas africanas e o nordeste se tornar uma área desértica, semelhante ao deserto onde é impossível plantar ou criar animais para subsistência, expulsando as populações para a cidade.
Todos esses fatores são intensificados pela ação humana com a utilização de combustíveis fósseis, desmatamento, queimadas e liberação de gases e produtos nocivos ao meio ambiente. Dessa forma, é imprescindível que as ações previstas no Protocolo de Kyoto (acordo internacional para reduzir gases que intensificam o efeito estufa) sejam mais efetivas em todos os países com o objetivo de reduzir a emissões de gases poluentes. Especialmente neste ano quando ocorrerá, em junho, no Rio de Janeiro, a Conferência Rio+20, onde diversos países desenvolvidos e em desenvolvimento definirão novas metas de comprometimento para a melhoria do quadro ambiental a serem alcançadas até o ano de 2020, contando, claro, com a participação efetiva dos países desenvolvidos, como Estados Unidos que se negou assinar tal acordo. Vale também destacar as iniciativas sustentáveis, como a substituição das fontes energias atuais por renováveis – através de iniciativas como a premiação governamental às empresas que diminuam emissões – são um bom começo. Enquanto isso, compre apenas o necessário, use meios de transporte coletivos, reduza o consumo de energia e, melhor, conversem com seus avós, eles sim sabiam viver bem com o ambiente.